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Há quem esteja sempre muito ocupado. Ou muito cansado, cansado de trabalhar. Sempre em stress, sempre debaixo de água, sempre sem tempo para nada. Dezenas de e-mails são trocados quando as saudades apertam e pedem um encontro. Há quem responda meia dúzia de palavras stressadas, quem responda tardiamente, ou até quem nem responda. Porque há os que não respondem e nós já sabemos que estão sempre lá, e os que enfiam a cabeça na areia para passarem despercebidos.

Depois, passa-se a uma nova fase. Uma mensagem no telemóvel, uma troca de frases no chat. Temos que combinar um café um dia destes. Sim, certamente, quando a agenda permitir, respondem. E as amizades começam a esfriar. O grupo começa a ser mais reduzido e as tentativas de conciliar os inconciliáveis vão-de desvanecendo no tempo. E essas pessoas deixam de ser importantes, são memórias do passado. Acontece com os amigos, acontece com a família.

Tenho pena. Sempre ouvi dizer que a vida é assim mesmo. Mas ainda não percebo que não haja tempo para dois dedos de conversa com os amigos. Conversa boa, conversa de gente, onde trabalho não entra.

Objectivos. Cargos. Realização profissional. Dinheiro. Poder.

Bah.

Há obsessões que, simplesmente, não consigo compreender.

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Mais 1 ano que se junta aos 27. Há quem goste de me recordar que estou com 30-2. Eu prefiro pensar que este – e os próximos – serão os melhores anos da minha vida. Até aos 90, vá, pelo menos. Tento lembrar-me que envelhecer é bom, que nos traz sabedoria e paz e nos ensina que devemos saborear os momentos mais simples pois são os mais sublimes.

Momentos tais como passar o dia a ver um filme, comer pipocas e celebrar o dia com pão-de-ló da Ti Piedade. Tinha mil e um planos para hoje. Não se realizaram. Mas nem me ralei. Aqui está a sabedoria que a idade nos traz…

Not too young, nor too old. Just perfect. :)

Sou um pouco anti-modas. O 1º convite que recebi para aderir ao Facebook tem mais de 2 anos. Para mim, era mais um Hi5 ou um LinkedIn (que também demorei a aderir e depois até se traduziu em propostas de emprego). Mas acabei por criar uma conta no Facebook. Achei que seria útil em termos de pesquisa científica, dado que poderia ser interessante estudar a associação entre redes sociais, comportamento do consumidor e consumo ético. Pelo menos foi o argumento que encontrei para escapar à dissonância cognitiva.

Inscrevi-me e fui coleccionando amigos. O meu critério foi convidar pessoas que conheço pessoalmente, tendo apenas 2 excepções de amigos da blogosfera. Fui pro-activa e enviei convites para quem fui encontrando, através de e-mails ou de amigos já seleccionados. Cumpre-se a regra dos 80-20% em termos de enviar/receber convites. Convidei gente que não posso ver à frente, pessoas que só vi uma vez, pessoas com quem estou regularmente, amigos, familiares. Recebi convites de quem não me dirige a palavra há anos ou traiu a minha amizade. Mas agora somos de novo amigos, tudo à distância de um simples clique.

Esta lógica de coleccionar amigos, quando eles nem se aproximam da verdadeira acepção da palavra, tem a meu ver, pelo menos 2 explicações. Voyeurismo porque assim podemos cuscar a vida alheia e Status porque podemos demonstrar o quão sociáveis somos e o que andamos a fazer na vida. Simplista? Talvez.

Mostrei algumas fotos à minha mãe e tentei explicar-lhe o que era o Facebook, com recurso a termos tais como “plataforma”, “amigos”, “fotos”, “pensamentos”, “ferramenta” e “comunicação”. Mas o seu pragmatismo deixou-me sem palavras: é uma coisa onde as pessoas vaidosas dizem o que têm feito na vida para outras pessoas saberem.

Pois. Basicamente é isso mesmo. O marido ajuda e exemplifica com o factor sexo: a vaidade é algo expectável e desejável no sexo feminino, mas quando um homem tem Facebook e só coloca fotos dele, isso pode significar que é um vaidosão meio gabarolas. Ou então não, e é apenas uma teoria sem dados empíricos para comprová-la ou refutá-la.

Pior do que estes são os que enviam posts de difícil compreensão à velocidade do Twitter. Pior se for sobre política. O abençoado botão de esconder ajuda-me a evitar estes amigos que, na maior parte dos casos, são igualmente chatos tanto no mundo virtual como no real.

Depois há os viciados em questionários. Querem saber qual é o marreta mais parecido consigo, que peça de roupa os representa, quando vão casar/engravidar/morrer. Ao reparar na imensidão de questionários que existem, fiquei com curiosidade para perceber por que razão alguém se daria ao trabalho de construir tais questionários.

O que aguçou o meu interesse foi o pedido de autorização que o Facebook envia para a aplicação aceder aos nossos dados. Encontrei a resposta aqui. Resumidamente, o criador do questionário tem acesso a todo o tipo de informação que temos não só no nosso perfil mas também acede à informação das pessoas que temos na nossa rede. E isto acontece com qualquer aplicação, desde questionários até aos jogos.

Claro. Tinha que haver segundas intenções algures por aí.

E é aqui que entra o factor privacidade. Apaguei todas as aplicações e subi o nível de privacidade para máximo. Não gosto de passar por parva. Depois, passei à criação de grupos, para gerir o acesso à informação que publico. Ou seja, na prática, tenho um grupo de pessoas que eu escolhi que nunca há-de ver o que escrevo na minha parede, apesar de serem meus amigos. Criei ainda outro grupo de pessoas, ainda mais restrito que o primeiro, que não vê as fotos que publico. Se quiser publicar fotos de outras pessoas que não têm Facebook, tenho o cuidado que apenas liberar o acesso para as pessoas em quem confio. E depois, se há alguém que demora uma eternidade para dar uma desculpa esfarrapada para não ir a um evento organizado por mim mas depois aceita de imediato o meu convite enviado há meses só porque estão lá fotos desse evento… bom, então essa pessoa tem que ver as fotos através de um outro seu amigo, porque vai ter esse álbum bloqueado.

Alguns de nós têm necessidade de dizer o que andam a fazer na vida, seja através do Facebook, blogues, etc., e outros são bastante mais castos nesse domínio. Isto é um facto. Mas não critico esta vaidade desde que seja equilibrada. Acredito mesmo que o Facebook ajuda a estimular a comunicação com pessoas que estão mais distantes: exemplo disso é a troca de mensagens com uma colega da Índia que conheci em Nantes e re-encontrei em Leeds, acompanhar o crescimento do filho de alguém que está longe, ou até ouvir o Malhão cantando por vietnamitas na lua-de-mel de alguém que conheci num evento e não houve tempo para estabelecer uma amizade. Ou, simplesmente, conversar mais, interagir mais, conhecer mais.

De qualquer forma, sou contra a cusquice pura. Se queres saber o que se passa, também tens que partilhar um pouco. E, já agora, ser mesmo um amigo. Caso contrário, não esperes que uma plataforma tecnológica traga aquilo que tantas rareia no quotidiano: emoções positivas.

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Velhote! :) *

Crescemos. Quando nos achamos gente, decidimos lutar pela nossa independência financeira. Apaixonamo-nos, amigamo-nos, alguns de nós até se casam. Vestido branco, véu, grinalda e benção do padre. Fogo-de-artifício. Um conto de fadas. Viveram felizes para sempre.

Esperamos pela fase dos nascimentos, maternidades, baptizados. Chupetas, biberãos,  uma nova vida, muitos sorrisos. O decorrer normal da vida a que estamos habituados. Mas nem sempre é assim. E começamos a ver a fase das costas viradas, das histórias incoerentes, de coisas que simplesmente parecem não bater certo. E o conto de fadas que parece ter terminado.

É a vida aos zigue-zagues. Estou preparada para casamentos, estou preparada para nascimentos. Mas não me falem em separações, que o meu pobre coração romântico não aguenta. Não é suposto que assim seja.

Tempo, ouvi dizer que curas tudo, por isso vê se passas bem depressa, ok?

Ando tão viciada no facebook que até me esqueci que tenho um blog.

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Aqui há dias estava na praia a observar um miúdo que se divertia como se não houvesse amanhã. Ele, envergando a sua prancha de body board contra as ondas inexistentes da praia do Tamariz, não se deixava vencer por nada: no seu íntimo, aposto que acreditava que estava em pleno Havai.

Ele está pouco se ralando se a caldeira lá de casa não funciona e o técnico está de férias uma semana. Não quer saber se tem que entregar relatórios em Setembro, se o Verão está a terminar e ainda não aproveitou a praia decentemente, não se questiona o que vai fazer para o jantar nem muito menos o que quer ser quando crescer.

Aquele miúdo sabe exactamente como levar a vida. São 19 horas e ele continua enérgico, saltando e pulando. É típico da idade… e não devia passar quando crescemos. Muitos de nós tornam-se rezingões inveterados. Outros sempre o foram. É, aparentemente, o meu caso. Votação máxima na Escola Secundária, propaganda feita pela prof. de matemática do 12º, com direito a diploma entregue no baile de finalistas.

Preocupo-me demasiado, refilo demasiado, critico demasiado. Sou como que uma velhota de 93 anos, daquelas meio mocas, num corpo de 27. Ainda estava no berço e já me diziam que não devo levar a vida tão a sério. E eu vou ouvindo, vou tentando controlar estes maus fígados de sindicalista, mas há alturas em que sou incorrigível. TPM? Traço de personalidade? Seja o que for, a verdade é que já não tenho pachorra para me aturar.

O primeiro passo é arrancar pela raiz este péssimo hábito de me pré-ocupar. Uma vez adquirido, parece que é das coisas mais complicadas de se perder… pior do que perder peso ou deixar de fumar. Somos criados sob a penumbra da preocupação e parece que enquanto não nos soubermos preocupar não seremos considerados adultos. Tens que te preocupar com o teu futuro! começamos a ouvir durante a adolescência, quando ainda estamos no 9º ano e já temos que decidir que caminho seguir (como se houvesse apenas um… como se fosse impossível mudar a rota a qualquer momento…)

Um dos obstáculos é aquilo a que se chama de negação de felicidade, ou melhor dizendo, a noção de que a felicidade tem que ser conquistada. E, pior, que só é alcançada através se tivermos que suportar algum sacrifício (trabalho, dor, miséria…). Mas, como saber a medida exacta de infelicidade para atingir a felicidade? Muitas vezes mais parece que um adulto responsável nunca passa por infelicidade insuficiente.

Para além disso, parece que está implícito que temos que gastar dinheiro para sermos felizes. Para gastar dinheiro, temos que passar muito tempo a trabalhar, aguentar o stress e o desgaste, etc etc etc… sem falar nos complexos de culpa que assolam muitas pessoas. Ou o excesso de endividamento. E o excesso de preocupações. Portanto, as preocupações são uma das formas mais populares para se evitar ser feliz.

Outro obstáculo é pensar que estar preocupado tem algum propósito. Como se pensar muito num problema o resolvesse por si só. Costumo dizer que não vale a pena preocupar-me com alguma coisa se não consigo controlá-la, ou seja, poderei suspirar de alívio se já fiz tudo o que estava ao meu alcance, incluindo relativizar a questão e criar planos de contingência. Preocupar-me não me traz nada de útil. Acorrenta a mente e diminui a capacidade de pensar de uma forma clara.

Então a questão que se coloca é: Como eliminar a preocupação de uma vez por todas?

Peguemos na analogia do acelerador-travão. Por mais estranho que pareça, nós queremos aquilo com que nos estamos a preocupar, isto porque o cérebro não processa negativos (não penses numa maçã vermelha…  nem num palhaço tonto aos saltos… nem num elefante a andar de bicicleta… pronto, já acabei de me divertir!). Ou seja, conscientemente a preocupação significa prevenir/resistir/evitar, enquanto que inconscientemente estamos a reforçar que queremos X.

Conscientemente, estamos a pisar no travão. Inconscientemente, no acelerador. A dificuldade é que os nossos pés estão amarrados: para deixar de acelerar é necessário levantar o pé do travão. Mas a pessoa que se preocupa em excesso recusa-se a fazer isso… O importante é persuadir o cérebro de que não há problema em levantar um pouco os pés. E uma boa estratégia é a de adiar a preocupação.

Então, que tal começar por arrumar a nossa mobília mental? A primeira coisa é adiar o hábito da preocupação até que a mente se tenha habituado ao adiamento constante. Quando sentimos que a preocupação é pior do que uma praga, uma boa forma de contorná-la é anotar por escrito na folha das preocupações e deixá-la de lado, sabendo que nos iremos preocupar com aquilo mais tarde.

Genial não é? A nossa mente é enganada, porque acreditamos que não desistimos de nos preocupar mas, entretanto, vamos perdendo o hábito de preocuparmo-nos no momento presente. Podemos optar por pegar na lista quando não tivermos nada com que nos preocupar ou podemos adiá-la indefinidamente. Parece bizarro, mas asseguro que vale a pena experimentar.

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Espero agora fechar o tema de uma vez por todas. A conjuntivite, que afinal era uma outra coisa qualquer terminada em ite, estragou-me alguns planos que tinha para o final do mês de Julho. Mas isso foi o mínimo, comparativamente aos sustos que me dão.

Muito sossegada, ainda no consultório, oiço o sr. oftalmologista dizer que a infecção não foi só externa, mas que afectou o interior do olhos. Que 90% dos casos são idiopáticos (para si também, sr. dr.) mas que seria boa ideia fazer uns exames genéticos e tal.

Ah, muito bem. Idiopatias à parte, o que eu queria mesmo era ver decentemente, sem esta névoa parva que me tolda a visão. E, já agora, perceber o porquê de andar mais de 2 semanas com o olho lesionado.

Ele jura a pés juntos que nada teve a ver com as lentes de contacto. Eu, por mim, até acredito. Comprovam os 4 anos de uso de lentes de contacto sem problemas.

Ainda assim, que las hay, hay.

Siga a emissão, que isto de se alimentar blogues com infecções e coisas que tais não lembra ao diabo.

A conjuntivite não dá tréguas. Estou quase rendida, e mal posso esperar pela pala que encomendei no E-Bay: este verão, nada como adoptar um look patriótico à là Camões. Depois de 3 consultas e 2 idas às urgências, começo a recuperar. Tento esquecer a formação marcada que foi para o galheiro e penso… podia ser pior. Pode sempre ser pior, para tudo há solução, só para a morte não, mas nada disto me enche o coração. Olha e até rimei.

Nada como pensar que há 1 ano a minha mãe estava prestes a ir à faca e agora está tudo bem. Ou nada como celebrar mais um aniversário de alguém que gostamos muito. Ou, ainda, receber uma ecografia e saber que a família já está um bocadinho maior.

Pequenas, grandes coisas que me alegram estes dias enevoados.

Isso e saber que afinal ainda consigo recuperar uns míseros €€€ das taxas de aeroporto.

Haja saúde.

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Fechámos para balanço, para recuperar o fôlego. A velocidade de cruzeiro está longe de ser atingida, mas a vontade de escrever impera.

O que cabe em 45 dias? é a pergunta que se impõe.

Desmarquei uma operação e não senti remorsos; recebi uma bolsa da Academy of Marketing para ir ao colóquio doutoral em Leeds; cortei o cabelo bem curtinho; tentei convencer a cara-metade – sem sucesso – a não rapar o cabelo; voei até Marraquexe; apaixonei-me pelo estilo de vida marroquino; pernoitei numa riad; subi a pé um rio junto às montanhas Atlas com o Ali, um habitante de uma vila berbere, e o seu pastor-alemão Lulu; sentei-me no chão, para saborear com as mãos a melhor tajine da minha vida, cozinhada pela Fátima, irmã do Ali, enquanto discutimos política e religião;

partilhei um hamman com o amor da minha vida, onde fomos esfregados, ensaboados e argilados, antes de passarmos a uma massagem ayurvédica enquanto o outro saboreia um chá de menta; quase que me perdi num souk; andei de caleche e fui enganada por um marroquino; fiz uma tatuagem de henna na perna e fui enganada por uma marroquina; reflecti sobre a minha vida enquanto ouvia as orações vindas de um megafone às 4 da manhã; quase que perdia um avião em Madrid, mas depois de muito refilar lá conseguimos embarcar; assim que pus um pé em Lisboa, o meu sistema digestivo queixou-se de tanta tajine, pastilha, harira e couscous que foi alvo;

tentei convencer alguém a não tirar a carta de mota; aprendi algumas coisas com mais uma intensa quinzena de aulas; combinei com o Faria, meu colega de doutoramento, que irei visitá-lo a Moçambique um dia destes, dado que se prontificou a ser o nosso guia privado; levei a Kim e a Ah Bo, duas amigas chinesas, a molhar os pés à praia do Tamariz; servi-lhes bacalhau com broa e batatas a murro, figos, cerejas, morangos, brigadeiros e ovos moles de Aveiro, mas o que a Kim gostou mesmo foi da sangria de espumante; depois de percorrermos Sintra, e com o jet lag a bombar, ainda ouvimos uns acordes de guitarra portuguesa durante ensaio para o concerto da Mariza na baía de Cascais; ainda nesse dia, e como os acordes nos abriram o apetite, lá fomos os dois, a minha cara-metade e eu, ouvir fado junto ao mar, com os pés enterrados na areia e os olhos postos nas estrelas;

percebi que não valia a pena convencer alguém a não tirar a carta de mota e comprei-lhe um blusão e umas luvas para se proteger; apresentaram-me um contrato que estava prometido desde Setembro de 2008; informaram-me que, afinal, as condições tinham mudado, pelo que tive uma oportunidade de colocar a inteligência emocional a funcionar e escrevi cartas para as mais altas instâncias, questionando o sucedido; fui almoçar a uma tasca com a Kim, Ah Bo, Lin, Wang e com a brasileira e simpatiquíssima Marluci, e aprendi que mão-de-vaca (yach!) é um prato óptimo para as rugas, porque tem muito colagénio; combinámos uma ida ao Freeport para a próxima vez que cá estiverem, porque a Ah Bo gastou 300€ em polos da Sacoor; sonhei com uma viagem a Macau, Hong-Kong, Pequim e, porque não?, Japão… e fi-las prometer que não me vão dar sapos nem outras coisas esquisitas ao almoço;

adiámos a canoagem na praia da duquesa porque, em pleno mês Junho, chovia a potes; decidi que ia pedir transferência para outra faculdade; marquei reuniões; decidi que ia ficar na minha faculdade; tive um convite para ser co-orientada (não devia ser ao contrário?); espetei a ponta de uma faca no pulso ao cortar melancia e desmaiei só de pensar que me ia esvair em sangue; recuperei a consciência sem saber onde estava e sem ouvir o que se passava, o que me fez relativizar, uma vez mais, as preocupações da vida;

arrependi-me de ter comprado um blusão e umas luvas e tentei convencer alguém a não tirar a carta de mota, mas percebi que já era tarde demais; no dia seguinte, apanhei o mesmo avião que o Paulo Pedroso (felizmente, o lanche não foi canja de miúdos) e fui apresentar o meu projecto de doutoramento à Academy of Marketing em Leeds, onde conheci um punhado de gente bem divertida (prometi ao Peter e ao Réne que vou à Escócia este ano, prometi à Maria que vou à costa de Amalfi este ano, prometi à Arpita que vou à Índia quando acabar o doutoramento, prometi a todos eles que têm um quarto disponível quando quiserem conhecer Lisboa); reencontrei, em Leeds, um ex-colega de mestrado e confidenciei-lhe que partilho do seu sonho de viajar 6 meses pela Europa; andei descabelada, por corredores de uma residência universitária, à procura de um adaptador para o meu secador de cabelo (a Franzciska, com a sua eficiência alemã, salvou-me o dia);

reuni-me com o meu orientador e, mais do que nunca, tive a certeza que estou no sítio certo, assim que começámos os dois a divagar com os nossos sonhos e projectos; reencontrei um ex-colega de licenciatura e estivemos mais de hora e meia a falar sobre as nossas vidas; comi pizza em três refeições seguidas, uma das quais quando voltei a encontrar o meu grupinho do mestrado, em mais um jantar onde reinou a amena cavaqueira e onde se partilharam segredos; combinei com alguns deles que iremos fazer teatro; fui aos saldos com a minha mãe e deixei-me ser mimada;

visitei a minha avó para celebrarmos mais um aniversário (onde é habitual darmos os parabéns a todos os que existem porque a minha avó nasceu), ao sabor de uma fatia de bebinca; só porque sou cliente Volkswagen, ganhei um bilhete duplo para o Optimus Alive e fomos com os cunhadinhos ao dia de Black Eyed Peas (não ficámos para Dave Matthew’s Band, porque já passava da meia-noite e o Vitinho mandou-nos para a caminha);

passei uma manhã na praia a jogar com raquetes e no dia a seguir concluí que já não tenho idade para estas coisas; mantive a calma quando uma tiazoca raspou o seu Beetle na minha traseira só porque não nos viu passar; preenchi uma declaração amigável pela 1ª vez, e decidi que nem vou mandar arranjar porque o raspão dá um ar mais racing ao carro; tive febril, com 37,5ºC, e comecei logo a pensar que tinha apanhado a gripe A em Leeds; estou com uma conjuntivite; resolvi voltar a escrever nos Cardigrilos.

Ufa! :)

Depois, quando me sinto em stress, dá-me para comer compulsivamente. Principalmente, doces. Ando eu a estudar os temas da psicologia que falam em valores, atitudes, crenças e a forma como tudo isto afecta o comportamento e mesmo assim não tenho remédio. Comfort food? Talvez.

Passo por restos da base de uma tarte que não correu bem e foi congelada, acompanhada de gelado de limão por cima (daquele que é só açúcar e limão) e compota de 4 frutos do Pingo Doce.

Ou então, tostas integrais com queijo amanteigado, com o tal doce no topo.

Tivesse eu a apresentação preparada, e ainda me punha a fazer estes muffins, com pepitas de chocolate. Como não tenho, tento correr contra o tempo, para pelo menos fazer uma visita relâmpago à minha mãe, ou ficaremos quase 1 mês sem nos vermos. E se eu conseguisse ser mesmo produtiva hoje, até lhe levava os tais muffins.

Vou fingir que sou consultora e tenho uma chefe bipolar. Pode ser que resulte.

Uma ausência dos Cardigrilos só pode ter um bom motivo: Rebuliço! A seguir a uma pausa lá para os fiordes da Noruega segue um período de 2 semanas de muito trabalho que antecedem a semana da grande estreia internacional aqui da je.

O tempo passa e o meu défice de concentração crónico também não ajuda. Fecho e-mails, twitter, google reader, messenger e todas as outras 5.000 traquitanas que me distraem. Ainda assim, há umas vozes parvinhas que teimam em dizer que vai tudo correr mal, que vou engasgar-me, que em vez de inglês falarei catalão, terei espinafres nos dentes e, com a sorte divina que me acompanha, ainda hei-de prender a saia nos collants quando sair do WC. Por vias das dúvidas, é melhor levar calças. E um kit de costura, não vá o diabo destecê-las.

Enquanto isso, o tempo para actualizar o blog não tem sido muito e o meu comparsa também não tem estado para aqui virado. Para além das fotos imperdíveis da viagem, não podia deixar de assinalar o que andámos a fazer quando o alerta da gripe suína – que parece que agora é A – estalou:

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A foto diz tudo. :)

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Comecei a acompanhar estes castiços, a Tanya e o Rafael, há uns tempos – quando ainda tinha o outro blog – e nunca mais os deixei. No início, foi a fase das dúvidas. Faziam-me recordar um colega que tive em tempos, que depois de 2 anos numa multi-nacional, resolveu rumar para a Índia. Escrevi-lhe este comentário, que acabou por virar post, e agora que a viagem começou, não passo um dia sem ir cuscar as suas novidades. Afinal, decidir ir à aventura pedalando por aí só pode ser coisa de gente corajosa e eu gosto sempre de acompanhar!

Roubei a foto do blog, porque simplesmente não resisto ao desenho da Anita Canita

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Penso neste cartoon sempre que vejo alguém a desperdiçar a vida. E assusto-me.

estamos a quantos?

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