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E pronto! Está finalmente consolidada mais uma linha do currículo.
Agora é apontar a mira para outra linha, que surgirá perto do alto daquela torre, no Norte. Pode-se encarar esta nova linha como uma celebração de desafio cumprido; ou como um prémio de montanha.
Agora é construir algo novo.
E fazer mais posts, já agora.
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Algum post relacionado? E agora, algo completamente diferente!
Não atribuo grande significado aos sonhos, embora existam alguns que se repetiam durante algumas fases da minha vida. Quando era miúda, sonhava vezes sem conta que ficava presa no elevador. Ou que carregava num determinado botão mas o elevador, com vontade própria, parava no piso que bem lhe apetecia. Geralmente, um piso mais alto – uma viagem mais demorada. Ainda hoje tenho pavor de entrar nesse elevador.
Um outro sonho de infância começava por uma brincadeira numa varanda onde eu me empoleirava e acabava por cair. Essa varanda, no mesmo edifício do tal elevador, foi já transformada em extensão de um quarto. De qualquer forma, deixou de me incomodar assim que cresci o suficiente para reconhecer que podia sair da varanda assim que quisesse. Já o elevador, esse… bom, era uma jaula claustrofóbica onde a minha vontade nunca vencia.
Bastantes anos depois, comecei a sonhar que sentia pânico em atravessar a ponte 25 de Abril. Simplesmente não conseguia e, no auge da ansiedade, acabava por acordar. Curiosamente, e por incrível que possa parecer, atravessei a ponte uns dias depois de começar a namorar com o meu maridinho lindo.
Atribuir um significado a estes pesadelos é possível e, analisando a minha própria história, consigo fazê-lo. Mas prefiro colocá-los de lado e pensar, apenas nos sonhos bons. Nos sonhos a cores que tenho todas as noites!
Durante o dia, a não ser que decida dormir uma sesta, não costumo sonhar. Uma das desvantagens da sociedade orientada para objectivos é trocar os sonhos por objectivos. E, não me lembro desde quando, mas sou uma pessoa de metas e objectivos, mais do que uma pessoa sonhadora. Dito desta forma, faz-me sentir cinzenta e completamente careta!
A verdade é que eu nunca sonhei acordada! Nunca sonhei com o meu casamento nem em ter filhos. Nunca sonhei que gostava de trabalhar numa empresa multi-nacional onde, todos os dias, o meu traje Massimo Dutti me acompanharia em pelo menos 10 longas horas de trabalho. Muito menos sonhei em comprar uma casa ou um automóvel XPTO. Sempre imaginei/visualizei tudo como metas a atingir, na devida altura. Tudo com o devido planeamento e estratégias bem definidas para lá chegar. Sonhar? Sonhar é ilusão… é desejar sem o esforço necessário para alcançar. Um autêntico desperdício de tempo!
No entanto, como já diz o ditado, não há regra sem excepção. Depois de um 1º e 2º anos de licenciatura conturbados, optei por chumbar, voluntariamente, por não estar a atingir os resultados que eu acreditava ser capaz. Foi uma decisão polémica que se traduziu em trade-offs materiais. Regressei, alegremente, aos transportes públicos com a consciência de que tinha feito a opção correcta. Era, simplesmente, um passo atrás, para ganhar impulso para o salto.
Com uma média de 11,6 no 1º ano, eu sonhava em tirar o mestrado. Era algo irreal, dados os requisitos mínimos de entrada. Todavia, no 3º ano, ao aproximar-me a uma velocidade atroz da média 14, lembro-me de ter ido conversar com uma Professora sobre o futuro – aconselhou-me a experimentar o mundo empresarial antes de optar pelo percurso académico. Mas eu sonhava… sonhava com o dia em que iria defender a minha tese no Auditório Afonso de Barros, para mim o auditório mais distinto.
E o sonho realizou-se ontem, sob o olhar atento das pessoas mais importantes da minha vida. Curiosamente, a tal Professora foi a Presidente do Júri. Confesso – aqui que ninguém nos lê – que me sinto um pouco infantil em falar sobre isto. Ora bolas! Podia ser apenas uma meta que alcancei e pronto! Mas este gostinho a sonho sabe tão bem… E tem um valor imensurável – foi um sonho atingido a dois! Não podia passar sem registá-lo no meu web log.
Para o futuro? Posso confessar que tenho um sonho e umas quantas metas a alcançar… :)
Para quem não se lembra, o blog começou num cinzento mas mítico dia em que arregacei as mangas e comecei a trabalhar na tese de mestrado. Nesse dia, vislumbrava como data de entrega o dia 28 de Setembro de 2007. Entretanto, o primeiro adiamento foi pedido, dado que conciliar a vida profissional com um trabalho que só depende de nós próprios não é tarefa fácil!
Para contextualizar os leitores mais recentes, devo referir que a dissertação a que me refiro diz respeito ao mestrado em marketing, iniciado em Setembro de 2005. Ainda antes das modernices de Bolonha, fomos a última turma a receber o programa à moda antiga.
A primeira parte é simples… 1º ano curricular, em que apenas temos que estar presentes nas aulas, fazer bons trabalhos de grupo e estudar um pouco para os exames. O mais difícil são, para além de estar presente nas aulas 6ª à noite e sábado de manhã, os trabalhos de grupo sábado à tarde e os respectivos T.P.C. de domingo. Chegados ao 2º semestre, já ninguém se aguenta! Desta partilha de sacrificios, ficaram 3 bons amigos.
Depois, vem a parte mais desafiante. Escolher um tema que gostássemos de investigar e pôr mãos ao teclado. A autonomia é a nossa pior inimiga – o mais difícil é manter a motivação e ter a força de vontade necessárias para avançar e terminar. O orientador apenas orienta. E, quando em média demora + de 1 mês a responder, não nos podemos dar ao luxo de esperar – temos que continuar a galgar o caminho. É algo próximo da sensação de estar a partir pedra com um pequeno martelinho.
Entretanto, tive a grande vantagem de ter um tema muito interessante, inicialmente sugerido pelo meu orientador. O objectivo inicial era analisar a adopção voluntária de estilos de vida simples, denominados por simplicidade voluntária. O resultado final foi uma análise sobre a adopção de comportamentos de consumo ambientalmente responsáveis – e qual a relação com o materialismo e estilos de vida de simplicidade voluntária. Pelo meio, propus-me a analisar o impacto de valores como o altruísmo, falta de generosidade e percepção de eficácia do consumo.
Depois de ler e reler mais de 100 artigos publicados em revistas científicas, consegui delinear um modelo conceptual. Construi um questionário que me permitisse testar o modelo e consegui financiamento por parte da minha faculdade para recorrer a uma empresa especializada em marketing research para seleccionar a amostra. Muitas pestanas queimadas em livros de estatística – e com a ajuda preciosa do marido – ficou fechado outro capítulo. E devo anunciar que cheguei a conclusões bastante interessantes!
A aventura de reencher tinteiros para impressão de 7 exemplares (pelo menos foi permitido o papel reciclado, e impressão em frente e verso) durou 3 dias e terminou hoje. Amanhã, 28 de Abril de 2008, é dia de entregar a obra-prima.
Fica a satisfação plena de quem termina algo a que se propôs. O perfeccionismo diz-me que poderia sempre estar melhor do que está. O pragmatismo diz-me que está muito bom e que é preciso avançar para a próxima meta.
Ficou a certeza de que, quando existe determinação, tudo é possível. Mesmo que o tempo corra e passem meses sem que avancemos. Mesmo que o modelo mude mais de 20 vezes. Mesmo que pensemos que não iremos conseguir nunca.
E pronto. Com isto tudo, já lá vão 20 anos sem sair da escolinha… Será que é desta que me livro?
Para dar um pouco de colorido às vossas vidas, resolvi dar-vos a conhecer o tema da dissertação que vou realizar no âmbito do
(!) Mestrado em Contabilidade (!)
que, corajosamente, estou a frequentar.
(os mais impressionáveis devem terminar a sua leitura neste ponto)
Como todos nós nos perguntamos frequentemente, quando escovamos os dentes logo de manhã ou quando esperamos que o semáforo fique verde, por que é que será que existe goodwill?, resolvi adicionar uma humilde contribuição à resposta a essa questão que, incessantemente, batuca nas nossas cabeças.
Se quiserem eu posso lançar-vos o artigo (ops, deformação profissional – queria dizer: enviar), mas tenham paciência porque os pedidos irão ser atendidos numa base FIFO (ops, deformação profissional outra vez) e não há largura de banda que aguente tamanho volume esperado de pedidos!
Como se tornou óbvio para todos vós após esta exposição, tenho muitas coisas interessantes e excitantes pela frente para fazer!!!
Por isso, vou fechar este post para balanço (irra, deformação profissional outra vez! Ou será académica? Há quem diga que é pessoal…) e irei:
- buscar a minha pala para colocar na minha cabeça;
(noutras áreas, dir-se-ia ‘arregaçar as mangas’, mas como as camisas que uso com as minhas gravatas so 70’s são de manga curta, tal não é aplicável)
Então sim, estarei capaz de pôr as mãos à obra (vou desenvolver todos os esforços necessários para que esta seja prima e não civil).
Cumprimentos cordiais.
O que é, afinal, o tema da minha tese…
A simplicidade voluntária é um estilo de vida em que se opta por limitar as despesas em bens de consumo. Esta filosofia pode estar baseada em questões ambientais, políticas, religiosas ou, simplesmente, morais. Acontece quando vamos ao shopping ao sábado para comprar 1 livro e pensamos “Mas que raio… Que confusão de gente… Não haverá nada mais interessante para se fazer ao sábado do que andar a ver montras, ansiando por comprar aquele telemóvel que já tem mais um quincagésimo de pixels ou aqueles par de botas que, este ano, ficam tão bem por fora das calças?”
Os que me conhecem bem já estão a ver o que vai sair daqui… Crescer em contacto com um ambiente familiar em que a marca é O mais importante resultou numa vontade de aprofundar, sob a forma de investigação, o que está associado a estes comportamentos.
(Relembrando alguns casos: gel de banho boticário Vs qualquer outra marca que custasse mais do que 10 contos, jogo de magia Vs jogo para playstation, num lar de 4 pessoas é bebida água Solan de cabras, Evian e Vitalis consoante os gostos, entre muitas muitas outras situações…)
O que leva, afinal as pessoas a ser tão consumistas? Estudos (e bom senso, para quem o tem) indicam que indivíduos com elevados rendimentos necessitam de demonstrar os seus atingimentos através de bens materiais visíveis para obterem apreciação, aprovação e respeito de quem os rodeia. Estes bens permitem transpirar status e prestígio sem andar com a declaração de IRS agrafada ao casaco (Paul&Shark, claro). Acreditem que também há quem suspire: UFF! Este ano lá vão mais 4 mil contos para o IRS…
Pior do que isso é não ter rendimentos e querer usar o tal casaco e o tal relógio, que já nos chegou em terceira mão. Mas isso fica para uma outra oportunidade de investigação.
Então, para o comum dos mortais como nós, é preciso trabalhar no duro para podermos comprar aquele Audi Sportback preto (nem que seja a prestações) que andamos a mirar no stand e que põe num chinelo o Série 1 do Manel, porque o nosso tem um nível de equipamento superior. É aqui que começa o ciclo vicioso: trabalhamos muito para comprar estes bens e, para podermos continuar a comprá-los, temos que continuar a trabalhar cada vez mais.
Até ao dia em que acordamos, olhamos em volta e percebemos que temos uma vida desgraçada. Casamento arruinado (se é que chegou a haver coragem e parceiro para nos acompanhar numa vida em comum), “amigos” que estão em competição laboral e material, vida desprovida de sentido. E pensamos “Ora bolas, a vida não é um ensaio de uma peça de teatro… Isto já é a valer!” E, se tivermos 2 dedos de testa, decidimos abrandar o ritmo. Abrandar porque queremos estar com a nossa família, porque nos esquecemos o quanto gostávamos de ler ou de sair para dançar e simplesmente não fazemos isso porque estamos cansados fisicamente e, talvez, um pouco amargurados com a vida.
Voluntary simplicity é isso mesmo. Muitas pessoas optam por reduzir a sua carga horária ou até mesmo mudar de carreira, para se dedicar ao que mais gostam de fazer. Nem que, para isso, exista o trade-off de, como se está a ganhar menos, é necessário consumir menos também. Estamos no topo da pirâmide de Maslow, à procura da Auto-realização, deixamos já a aprovação social e auto-estima para trás.
Esta pode ser uma das motivações principais. Para além dessa, se pensarmos no impacto ambiental, ficamos ainda mais conscientes que estamos a seguir um caminho correcto.
Não percam os próximos episódios…











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