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Estivemos aqui, em cascos de rolha, depois de demorar imenso tempo até lá chegar. A pousada, que ficou longe de superar expectativas, fica atrás do sol posto, perto de onde Judas perdeu as suas botas. Tivemos que parar na berma, por volta da meia noite (porque ainda fomos às compras ao Freeport), e telefonar para a pousada (quase sem rede de telemóvel) porque o depósito estava na reserva e pousada nem vê-la. Estações de serviço muito menos.
Chegados ao nosso destino, fui acometida por uma bactéria estúpida, infeliz e completamente frustrada com a sua vida de bactéria. Noite em branco. Numa Pousada de Portugal. Sem Tv por cabo nem internet wireless. Com os fantásticos filmes da RTP 1. Esperando e desesperando para que o medicamento fizesse efeito. Sábado de manhã, muitos litros de água depois, regressámos à metrópole lisboeta para que pudesse regressar às urgências (onde, curiosamente, tinha estado no dia anterior a falar com a médica da mama). Duas semanas, 3 antibióticos.
Não fomos às banquinhas de porco preto que havia em Ourique. Não tirámos fotos da barragem. Não usufruímos nada do fim-de-semana oferecido pela National Geographic. E o domingo foi passado de volta do SPSS.
Pfff… Parece que anda aqui uma nuvem negra que teima em não passar.
(BTW, já tinha dito que na próxima encarnação quero nascer homem?)

Não nos pagam nada por isto, mas deviam… Só para alertar que quem assinar a National Geographic por 1 ano recebe um voucher de 2 noites para passar uma bela estadia numa Pousada de Portugal! São €35,70 pela assinatura, e já inclui o voucher, com validade até 31 de Março.
O nosso chegou hoje mesmo e a reserva já cá canta! :)

Béjar deixou-nos com apetite para mais neve. A Rita falou-nos na hipótese da Serra da Estrela e nós questionámo-nos… porquê ir para Espanha quando temos boas condições a 2 horas e picos de distância? O Dio tirou a 6ª feira, sob pretexto de um sábado que foi passado na intensa labuta, e lá fomos nós. Motivados, não só alugámos material completo como pedimos 2 horas de aulas. Se é para aprender, mais vale não ficar a chorar o dinheiro… Já tínhamos tentado por nós próprios em Pas de La Casa e o resultado não foi muito bom.
A manhã foi para a habituação aos skis. Alguns trambolhões mas nada que me demovesse. Estou segura que vou gostar de andar por aí a deslizar, nem que para isso tenha que passar por uma fase de nódoas negras. Depois do almoço, vieram as sessões pedagógicas. Sim, porque não posso falar em andragogia quando eu parecia uma miúda de 12 anos numa aula de educação física.
O primeiro instrutor, foi 5 estrelas. Se lá forem, peçam para ter aulas com o Nuno Robalo. Subimos pelos meios mecânicos para descermos uma pista verde. Com uma ou outra queda minha, mas lá fomos. Quanto ao meu par, só se espalhou quando, montado no saca-rabos, resolveu olhar para trás para ver como eu me estava a sair. Viu-me estatelada no chão e, como marido solidário que é, quis partilhar o momento comigo. :)
Na hora seguinte, mudámos de instrutor. E, se não souberem mesmo nada da arte de esquiar, nem pensem em ter aulas com o tipo meio careca com ar de quem chuta p’ra veia (não me deixaram escrever o nome dele… mas se tiverem mesmo muita curiosidade, enviem-me um mail sem o D saber), porque senão estão bem tramados. Esperem uma sessão de berros, tipo aula de educação física no 6º ano com um professor mal formado, que vos trata como se tivessem 5 anos e fossem uns falhados. Para não alongar o discurso sobre esta parte menos feliz do dia, digamos que me recusei a continuar a aula naquelas condições. Armou-se em sonso, não tivemos pachorra e fomos re-haver o dinheiro da aula.
O final do dia estava a chegar e fomos acalmar os ânimos para a pista da Torre… mas com as pás! Ah! Agora sim, falamos de diversão a sério!
E assim, sem tirar nem pôr, mais um item da lista riscado: Escorregar com as palas resbaladeras se o ski não correr bem. Para o ano há mais.
:)

E foi mais um fim-de-semana onde quase, quase, risquei mais um item da lista: escorregar com as palas resbaladeras se o ski não correr bem. Mas, como não cheguei nem a tentar o ski nem a repetir os deslizes com as pás, mantém-se o item, que até está programado para 2010.
Fomos para a serra de Béjar, que não conhecíamos e fica aqui tão perto, um pouco a norte de Cáceres. Um grupo de 22 pessoas, composto por colegas do D e respectivos acompanhantes, que ocupou, quase como que de uma invasão lusitana se tratasse esta casa rural, que ficou completamente sob o nosso jugo.
Eu, que passei uns quantos dias a mentalizar-me para os trambolhões, não tive a sorte da concretização: devido ao vento, as pistas estiveram encerradas tanto no sábado como no domingo. Valeu-nos o bom tempo cá em baixo, que permitiu um dia bem passado nas redondezas.
Soube a muito, muito pouco…
Ingredientes
125 g de açúcar
60 g de manteiga
raspa de 1 limão
2 ovos
100 ml de leite
250 g de farinha de trigo
6 quadrados de chocolate negro
manteiga e açúcar para as formas
Bati o açúcar com a manteiga até obter um creme fofo. Adicionei os ovos, o leite e a farinha aos poucos. Deixei a massa repousar por 20 minutos.
O forno foi pré-aquecido a 200ºC. Untei as 12 forminhas para queques com manteiga e polvilhei com açúcar. Preenchi as formas com a massa e levei ao forno por 10 minutos, a 200ºC. Reduzi o calor para 180ºC e prolonguei a cozedura por 20 minutos. Para a próxima, deixarei apenas 15 minutos, dado que ficaram um pouco secos.
Ingredientes
1 Ovo
300g Farinha
100g Açúcar Amarelo
125g Margarina
Baunilha q.b.
Canela q.b.
Basicamente, é só pegar nos ingredientes e misturá-los até ficar uma massa homogénea (excepção feita à canela, que só se serve para polvilhar no final). Face à receita original da mãe, substituí o açúcar branco pelo amarelo e a margarina convencional pela Becel de cozinha, sem gorduras hidrogenadas.
Depois de ter a massa pronta, fiz pequenas bolinhas com canela na palma da mão. Dispus as bolinhas num tabuleiro e levei ao forno, previamente aquecido, durante cerca de 15 minutos. Como gosto deles quebrados em cima, costumo colocar o tabuleiro o mais alto possível, deixo assar durante 10 minutos, desligo o forno, e retiro passados 5 minutos.
Para a próxima vez, hei-de experimentar juntar um pouco de gengibre.
Acompanham muito bem um chá preto Darjeeling com duas gotas de leite. Hoje, optei por uma tisana fresca de camomila e limão.
Neste fim-de-semana foi a vez da Aldeia da Mata Pequena. A Aldeia da Mata Pequena é um pequeno povoado rural, composto por uma dezena de habitações, num lugar enquadrado na denominada Zona de Protecção Especial do Penedo do Lexim, onde se ergue um vulcão já extinto que acolhe uma importante estação arqueológica. O site da aldeia, mais do que convencer o internauta, consegue cumprir a sua missão de sedução e conquista. Assim sendo, o namoro por este local perdurou por mais de 1 ano, em que perdi a conta das vezes que fui admirar cada casa. Por um par de vezes não consegui reserva e, desta vez, optei por efectuar a marcação com 4 meses de antecedência.
Expectativas elevadas. Ao chegar ao local (servido por estrada de alcatrão), deparámos com uma aldeia na verdadeira acepção do termo, onde a privacidade é um conceito relativo. Sem placas identificativas, tivemos que abordar uns guests que nos ajudaram a encontrar o landlord. A casa escolhida foi, em tempos, uma casa de feno (fotos disponíveis apenas no Wonderfulland). Depois de reconstruída, oferece-nos um quarto duplo em mezzanine, uma sala ampla e um quintal exclusivo com uma vista fenomenal, onde pudemos fazer as nossas refeições e espreguiçar um pouco enquanto apanhávamos sol.
Regressamos a casa satisfeitos, mas sem expectativas superadas. Imbuídos do espírito pacato e saloio de uma aldeia e acostumados à simpatia dos casais que nos receberam noutros locais, estranhamos quando a dona nos vira a cara e não nos saúda. Quando nos prometem uma cesta e um frigorífico avultados de variadas iguarias é isso mesmo que esperamos… e não apenas 3 fatias de queijo, 3 fatias de fiambre, 1 docinho de laranja e outro de tomate, uns biscoitinhos e café solúvel que não dissolvia, para duas manhãs. No final, a distracção (que não encontrámos nos holandeses que exploram locais semelhantes) deixou a factura portuguesa esquecida no meio de alguma conversa para hóspede voltar.
São pequenos detalhes que marcam a diferença e nos fazem querer regressar… ou optar por outros desconhecidos que, seduzindo e conquistando, nos fazem novas promessas.
Não tenho jeito nenhum para fazer críticas cinematográficas. No entanto, por achar que o filme é excelente, não podia deixar de aconselhar-vos.
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Por Helen Barlow, Cinecartaz
É difícil acreditar hoje que o realizador Kevin McDonald tenha querido olhar para outro lado, quer dizer, para os Estados Unidos, Reino Unido e até África, à procura do actor para fazer de Idi Amin Dada, o ditador que dominou o Uganda entre 1971 e 1979 – foi o gigante paranóico responsável pela morte de 300 mil ugandeses. É que Idi Amin estava mesmo ali à sua frente: Forest Whitaker.
Dizer, como disse McDonald, que nunca tinha visto Whitaker fazer em cinema algo de similar, e que por isso teve reservas, não é desculpa que se aceite depois de ser ver “O Último Rei da Escócia”. Forest Whitaker: corpo de criança grande – 1,89 metros de altura, 110 quilos -, massa de sedução a trabalhar num tempo próprio, uma letargia que antecede a explosão, e a coisa explode, numa brutalidade diabólica.
A razão por que ficamos agarrados à cadeira da sala de cinema é devido a ele, Forest Whitaker. Whitaker pode até ser “acusado” de fazer de um dos mais odiados líderes do mundo uma figura carismática, simpática mesmo – mas só até certo ponto no filme, a partir do qual não se pode continuar a gostar dele a não ser que se goste de pesadelos. A razão Cinema também é esta: “O Último Rei da Escócia”, adaptação ao cinema do romance de Giles Foden (por Peter Morgan e Jeremy Brock), olha para Idi Amin Dada do ponto de vista de um jovem médico escocês, Nicholas Garrin, uma personagem de ficção que junta nela várias figuras reais e que é interpretada pelo actor James McAvoy.
Whitaker passou semanas no Uganda a entrevistar a família de Idi Amin, antigos oficiais do governo e pessoas torturadas pelo regime. Leu vorazmente, ouviu os incendiários discursos do ditador. Mesmo antes de chegar ao Uganda já falava swahili, para poder improvisar diálogos com os actores e figurantes que iria encontrar na rodagem – onde utilizou os carros e a mobília que Idi Amin usava quando chegou ao poder em 1971 num golpe de Estado apoiado pelos britânicos. “As pessoas ensinaram-me a ser ugandês. Aprendi a língua, como comer, como me sentar, como apertar a mão em sinal de respeito.” E foi nesta pesquisa que uma imagem mais complexa de Idi Amin Dada se começou a desenhar.
“Tento sempre prestar um serviço às personagens. Comecei a juntar na minha cabeça todas as histórias que me tinham contado, histórias de paranóia e medo” – como aquela de um “chauffer” que conseguiu colocar Idi Amin a tempo no local desejado, apesar de uma estrada estar cortada, e Idi Amin fê-lo logo ali general.
“Concebi uma imagem dele, a de um homem encurralado. Isso foi a âncora para construir a personagem. O que é que acontece connosco, quando sentimos que todas as pessoas à nossa volta estão ali para nos destruir?” “Antes”, continua, “tinha esta imagem de um tirano a matar pessoas, e essa imagem era verdadeira, ele fazia isso. Mas o que descobri foi que ele também tentou fazer coisas pelo Uganda.”
Durante o seu “reinado”, Amin terá mandado assassinar 300 mil compatriotas (dos seus inimigos guardava as cabeças no frigorífico), mas em 1972, quando expulsou os líderes da comunidade asiática que constituíam a espinha dorsal da economia nacional, abriu o caminho para os ugandeses terem, pela primeira vez, acesso aos negócios do seu país.
“Muitas pessoas, aquelas que têm hoje mais de 30 anos, recordam-se dele por isso”, explica Whitaker. “É fascinante o facto de conseguirem conciliar coisas antagónicas: por um lado, o brutal assassino; ao mesmo tempo, se não fosse ele, os ugandeses não teriam os seus negócios. Havia uma dualidade em tudo o que dizia respeito a Idi Amin, e tinha a ver com a capacidade para seduzir, encantar. A mim, como actor, interessa-me a dualidade, e o que pode haver nela de revelador.”
Era o diabo? Sim, mas acrescenta Whitaker: “Só olhando o rosto de um indivíduo assim se consegue impedir que uma coisa dessas volte a acontecer.”
Não é surpresa então saber que foi intimidante fazer a personagem. “Senti que eu próprio tinha de ser um líder, mais forte, mais confiante. Não sei se sou sempre confiante, tenho as minhas inseguranças.”
O que é que se diz de alguém que mede 1,89 metros de altura e pesa 110 quilos? Que é um talento extra-largo.









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