O spot começa bem. Um bebé a nadar livremente no mar, uma música que prende a atenção. O recurso ao novo mito urbano, de que vivemos em caixas, deslocamo-nos em caixas, trabalhamos em caixas. E nós queremos libertar as amarras. Queremos ser livres. Livres!

Compremos, então, uma televisão.

Sim, faz todo o sentido.

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Há quem esteja sempre muito ocupado. Ou muito cansado, cansado de trabalhar. Sempre em stress, sempre debaixo de água, sempre sem tempo para nada. Dezenas de e-mails são trocados quando as saudades apertam e pedem um encontro. Há quem responda meia dúzia de palavras stressadas, quem responda tardiamente, ou até quem nem responda. Porque há os que não respondem e nós já sabemos que estão sempre lá, e os que enfiam a cabeça na areia para passarem despercebidos.

Depois, passa-se a uma nova fase. Uma mensagem no telemóvel, uma troca de frases no chat. Temos que combinar um café um dia destes. Sim, certamente, quando a agenda permitir, respondem. E as amizades começam a esfriar. O grupo começa a ser mais reduzido e as tentativas de conciliar os inconciliáveis vão-de desvanecendo no tempo. E essas pessoas deixam de ser importantes, são memórias do passado. Acontece com os amigos, acontece com a família.

Tenho pena. Sempre ouvi dizer que a vida é assim mesmo. Mas ainda não percebo que não haja tempo para dois dedos de conversa com os amigos. Conversa boa, conversa de gente, onde trabalho não entra.

Objectivos. Cargos. Realização profissional. Dinheiro. Poder.

Bah.

Há obsessões que, simplesmente, não consigo compreender.

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Mais 1 ano que se junta aos 27. Há quem goste de me recordar que estou com 30-2. Eu prefiro pensar que este – e os próximos – serão os melhores anos da minha vida. Até aos 90, vá, pelo menos. Tento lembrar-me que envelhecer é bom, que nos traz sabedoria e paz e nos ensina que devemos saborear os momentos mais simples pois são os mais sublimes.

Momentos tais como passar o dia a ver um filme, comer pipocas e celebrar o dia com pão-de-ló da Ti Piedade. Tinha mil e um planos para hoje. Não se realizaram. Mas nem me ralei. Aqui está a sabedoria que a idade nos traz…

Not too young, nor too old. Just perfect. :)

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Que temos que reciclar, muitos de nós já o sabemos. Esquecemos, muitas vezes, que devíamos dar prioridade ao outro R – de Reduzir – já que a reciclagem também provoca poluição. É como aceitar aquele papel que nos dão no metro para de seguida deitá-lo fora, sem pensar no desperdício.

Sabemos também que não devemos usar sprays com CFCs. Já nem existe no mercado… Sabemos que devemos poupar água no banho, apagar as luzes que não precisamos ou optar por produtos amigos do ambiente.

Sabemos isso e muito mais. E, a partir de hoje, ainda saberemos mais!

Me aguardem!! (ler com sótaqui brasileiro)

Sou um pouco anti-modas. O 1º convite que recebi para aderir ao Facebook tem mais de 2 anos. Para mim, era mais um Hi5 ou um LinkedIn (que também demorei a aderir e depois até se traduziu em propostas de emprego). Mas acabei por criar uma conta no Facebook. Achei que seria útil em termos de pesquisa científica, dado que poderia ser interessante estudar a associação entre redes sociais, comportamento do consumidor e consumo ético. Pelo menos foi o argumento que encontrei para escapar à dissonância cognitiva.

Inscrevi-me e fui coleccionando amigos. O meu critério foi convidar pessoas que conheço pessoalmente, tendo apenas 2 excepções de amigos da blogosfera. Fui pro-activa e enviei convites para quem fui encontrando, através de e-mails ou de amigos já seleccionados. Cumpre-se a regra dos 80-20% em termos de enviar/receber convites. Convidei gente que não posso ver à frente, pessoas que só vi uma vez, pessoas com quem estou regularmente, amigos, familiares. Recebi convites de quem não me dirige a palavra há anos ou traiu a minha amizade. Mas agora somos de novo amigos, tudo à distância de um simples clique.

Esta lógica de coleccionar amigos, quando eles nem se aproximam da verdadeira acepção da palavra, tem a meu ver, pelo menos 2 explicações. Voyeurismo porque assim podemos cuscar a vida alheia e Status porque podemos demonstrar o quão sociáveis somos e o que andamos a fazer na vida. Simplista? Talvez.

Mostrei algumas fotos à minha mãe e tentei explicar-lhe o que era o Facebook, com recurso a termos tais como “plataforma”, “amigos”, “fotos”, “pensamentos”, “ferramenta” e “comunicação”. Mas o seu pragmatismo deixou-me sem palavras: é uma coisa onde as pessoas vaidosas dizem o que têm feito na vida para outras pessoas saberem.

Pois. Basicamente é isso mesmo. O marido ajuda e exemplifica com o factor sexo: a vaidade é algo expectável e desejável no sexo feminino, mas quando um homem tem Facebook e só coloca fotos dele, isso pode significar que é um vaidosão meio gabarolas. Ou então não, e é apenas uma teoria sem dados empíricos para comprová-la ou refutá-la.

Pior do que estes são os que enviam posts de difícil compreensão à velocidade do Twitter. Pior se for sobre política. O abençoado botão de esconder ajuda-me a evitar estes amigos que, na maior parte dos casos, são igualmente chatos tanto no mundo virtual como no real.

Depois há os viciados em questionários. Querem saber qual é o marreta mais parecido consigo, que peça de roupa os representa, quando vão casar/engravidar/morrer. Ao reparar na imensidão de questionários que existem, fiquei com curiosidade para perceber por que razão alguém se daria ao trabalho de construir tais questionários.

O que aguçou o meu interesse foi o pedido de autorização que o Facebook envia para a aplicação aceder aos nossos dados. Encontrei a resposta aqui. Resumidamente, o criador do questionário tem acesso a todo o tipo de informação que temos não só no nosso perfil mas também acede à informação das pessoas que temos na nossa rede. E isto acontece com qualquer aplicação, desde questionários até aos jogos.

Claro. Tinha que haver segundas intenções algures por aí.

E é aqui que entra o factor privacidade. Apaguei todas as aplicações e subi o nível de privacidade para máximo. Não gosto de passar por parva. Depois, passei à criação de grupos, para gerir o acesso à informação que publico. Ou seja, na prática, tenho um grupo de pessoas que eu escolhi que nunca há-de ver o que escrevo na minha parede, apesar de serem meus amigos. Criei ainda outro grupo de pessoas, ainda mais restrito que o primeiro, que não vê as fotos que publico. Se quiser publicar fotos de outras pessoas que não têm Facebook, tenho o cuidado que apenas liberar o acesso para as pessoas em quem confio. E depois, se há alguém que demora uma eternidade para dar uma desculpa esfarrapada para não ir a um evento organizado por mim mas depois aceita de imediato o meu convite enviado há meses só porque estão lá fotos desse evento… bom, então essa pessoa tem que ver as fotos através de um outro seu amigo, porque vai ter esse álbum bloqueado.

Alguns de nós têm necessidade de dizer o que andam a fazer na vida, seja através do Facebook, blogues, etc., e outros são bastante mais castos nesse domínio. Isto é um facto. Mas não critico esta vaidade desde que seja equilibrada. Acredito mesmo que o Facebook ajuda a estimular a comunicação com pessoas que estão mais distantes: exemplo disso é a troca de mensagens com uma colega da Índia que conheci em Nantes e re-encontrei em Leeds, acompanhar o crescimento do filho de alguém que está longe, ou até ouvir o Malhão cantando por vietnamitas na lua-de-mel de alguém que conheci num evento e não houve tempo para estabelecer uma amizade. Ou, simplesmente, conversar mais, interagir mais, conhecer mais.

De qualquer forma, sou contra a cusquice pura. Se queres saber o que se passa, também tens que partilhar um pouco. E, já agora, ser mesmo um amigo. Caso contrário, não esperes que uma plataforma tecnológica traga aquilo que tantas rareia no quotidiano: emoções positivas.

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É um facto, estou rendida.

(Sum-up do concerto aqui e fotos oficiais aqui.)

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9 anos depois, 3 horas de concerto.

Hoje.

Será que ainda temos idade para isto?

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Velhote! :) *

Crescemos. Quando nos achamos gente, decidimos lutar pela nossa independência financeira. Apaixonamo-nos, amigamo-nos, alguns de nós até se casam. Vestido branco, véu, grinalda e benção do padre. Fogo-de-artifício. Um conto de fadas. Viveram felizes para sempre.

Esperamos pela fase dos nascimentos, maternidades, baptizados. Chupetas, biberãos,  uma nova vida, muitos sorrisos. O decorrer normal da vida a que estamos habituados. Mas nem sempre é assim. E começamos a ver a fase das costas viradas, das histórias incoerentes, de coisas que simplesmente parecem não bater certo. E o conto de fadas que parece ter terminado.

É a vida aos zigue-zagues. Estou preparada para casamentos, estou preparada para nascimentos. Mas não me falem em separações, que o meu pobre coração romântico não aguenta. Não é suposto que assim seja.

Tempo, ouvi dizer que curas tudo, por isso vê se passas bem depressa, ok?

Bem sei que deixamos tudo para a “última da hora”.

Mas, considerando os valores astronómicos que os jogadores recebem, acho ultrajante quando oiço dizer que “não estão motivados” ou que “precisam de um líder”. O trabalho deles é dar uns toques na bola. É para isso que lhes pagam.

Experimentem falhar os vossos objectivos no vosso local de trabalho e depois justificarem que não estão motivados, ou que não há um líder de jeito na vossa equipa.

Não parece absurdo? Então, porque aceitamos que assim aconteça no futebol?

É isto e estacionar em plena 2ª circular só porque vai haver bola.

Absurdo, absurdo, absurdo.

Hoje sinto-me como um urso polar em Svalbard, tenso e stressado com o barulho dos aviões que sobrevoam a cidade, prestes a atacar um qualquer ser humano que se cruze comigo.

Rai’s parta o gás natural e as escavadoras à volta do meu pacato posto de trabalho.

Grumpf!

Ando tão viciada no facebook que até me esqueci que tenho um blog.

younger

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Aqui há dias estava na praia a observar um miúdo que se divertia como se não houvesse amanhã. Ele, envergando a sua prancha de body board contra as ondas inexistentes da praia do Tamariz, não se deixava vencer por nada: no seu íntimo, aposto que acreditava que estava em pleno Havai.

Ele está pouco se ralando se a caldeira lá de casa não funciona e o técnico está de férias uma semana. Não quer saber se tem que entregar relatórios em Setembro, se o Verão está a terminar e ainda não aproveitou a praia decentemente, não se questiona o que vai fazer para o jantar nem muito menos o que quer ser quando crescer.

Aquele miúdo sabe exactamente como levar a vida. São 19 horas e ele continua enérgico, saltando e pulando. É típico da idade… e não devia passar quando crescemos. Muitos de nós tornam-se rezingões inveterados. Outros sempre o foram. É, aparentemente, o meu caso. Votação máxima na Escola Secundária, propaganda feita pela prof. de matemática do 12º, com direito a diploma entregue no baile de finalistas.

Preocupo-me demasiado, refilo demasiado, critico demasiado. Sou como que uma velhota de 93 anos, daquelas meio mocas, num corpo de 27. Ainda estava no berço e já me diziam que não devo levar a vida tão a sério. E eu vou ouvindo, vou tentando controlar estes maus fígados de sindicalista, mas há alturas em que sou incorrigível. TPM? Traço de personalidade? Seja o que for, a verdade é que já não tenho pachorra para me aturar.

O primeiro passo é arrancar pela raiz este péssimo hábito de me pré-ocupar. Uma vez adquirido, parece que é das coisas mais complicadas de se perder… pior do que perder peso ou deixar de fumar. Somos criados sob a penumbra da preocupação e parece que enquanto não nos soubermos preocupar não seremos considerados adultos. Tens que te preocupar com o teu futuro! começamos a ouvir durante a adolescência, quando ainda estamos no 9º ano e já temos que decidir que caminho seguir (como se houvesse apenas um… como se fosse impossível mudar a rota a qualquer momento…)

Um dos obstáculos é aquilo a que se chama de negação de felicidade, ou melhor dizendo, a noção de que a felicidade tem que ser conquistada. E, pior, que só é alcançada através se tivermos que suportar algum sacrifício (trabalho, dor, miséria…). Mas, como saber a medida exacta de infelicidade para atingir a felicidade? Muitas vezes mais parece que um adulto responsável nunca passa por infelicidade insuficiente.

Para além disso, parece que está implícito que temos que gastar dinheiro para sermos felizes. Para gastar dinheiro, temos que passar muito tempo a trabalhar, aguentar o stress e o desgaste, etc etc etc… sem falar nos complexos de culpa que assolam muitas pessoas. Ou o excesso de endividamento. E o excesso de preocupações. Portanto, as preocupações são uma das formas mais populares para se evitar ser feliz.

Outro obstáculo é pensar que estar preocupado tem algum propósito. Como se pensar muito num problema o resolvesse por si só. Costumo dizer que não vale a pena preocupar-me com alguma coisa se não consigo controlá-la, ou seja, poderei suspirar de alívio se já fiz tudo o que estava ao meu alcance, incluindo relativizar a questão e criar planos de contingência. Preocupar-me não me traz nada de útil. Acorrenta a mente e diminui a capacidade de pensar de uma forma clara.

Então a questão que se coloca é: Como eliminar a preocupação de uma vez por todas?

Peguemos na analogia do acelerador-travão. Por mais estranho que pareça, nós queremos aquilo com que nos estamos a preocupar, isto porque o cérebro não processa negativos (não penses numa maçã vermelha…  nem num palhaço tonto aos saltos… nem num elefante a andar de bicicleta… pronto, já acabei de me divertir!). Ou seja, conscientemente a preocupação significa prevenir/resistir/evitar, enquanto que inconscientemente estamos a reforçar que queremos X.

Conscientemente, estamos a pisar no travão. Inconscientemente, no acelerador. A dificuldade é que os nossos pés estão amarrados: para deixar de acelerar é necessário levantar o pé do travão. Mas a pessoa que se preocupa em excesso recusa-se a fazer isso… O importante é persuadir o cérebro de que não há problema em levantar um pouco os pés. E uma boa estratégia é a de adiar a preocupação.

Então, que tal começar por arrumar a nossa mobília mental? A primeira coisa é adiar o hábito da preocupação até que a mente se tenha habituado ao adiamento constante. Quando sentimos que a preocupação é pior do que uma praga, uma boa forma de contorná-la é anotar por escrito na folha das preocupações e deixá-la de lado, sabendo que nos iremos preocupar com aquilo mais tarde.

Genial não é? A nossa mente é enganada, porque acreditamos que não desistimos de nos preocupar mas, entretanto, vamos perdendo o hábito de preocuparmo-nos no momento presente. Podemos optar por pegar na lista quando não tivermos nada com que nos preocupar ou podemos adiá-la indefinidamente. Parece bizarro, mas asseguro que vale a pena experimentar.

estamos a quantos?

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